O pequeno Nico vai passar um mês com sua tia-avó Gela, que mora na Sicília. Sua vida no campo é uma confusão desde o primeiro dia. O Wi-Fi não funciona e a comida não agrada de jeito nenhum ao seu paladar. É difícil se adaptar a qualquer coisa: Gela e seu temperamento difícil, o velho cão Frank, a casa vizinha sobre a qual correm rumores de ser assombrada e as crianças maldosas da vizinhança. Depois que Gela confisca até seu smartphone, Nico passa a sentir ainda mais saudade da babá Violetta. Um dia, Rosa, uma menina da sua idade, se aproxima de Nico. Os dois se tornam amigos num instante e, juntos, investigam os segredos da tia-avó. “Meu Verão na Sicília”, de Margherita Spampinato, se destaca pela direção madura, incomum para uma estreia. O horror e o suspense inseridos entre as paisagens de verão da Sicília criam uma sensação de estranheza. Essa estranheza se conecta à estética realista do filme, que aborda com naturalidade, dentro da fórmula do cinema de amadurecimento, questões sociais da Itália contemporânea, como o despovoamento do interior causado pelo aquecimento global e pelo envelhecimento da população, e a homofobia. É como assistir a um filme da diretora Yoon Ga-eun rodado na Itália. Este primeiro longa-metragem conquistou dois prêmios no Festival Internacional de Cinema de Locarno deste ano.