“Antes de assistir a “O Hospedeiro”, eu não sabia que um filme podia transitar por tantas atmosferas. Com esse filme, aprendi que várias atmosferas podem coexistir em um único filme e que o importante é como equilibrá-las”. — A diretora Maggie Kang
Nos filmes de Bong Joon-ho, o abismo é tanto objeto de fascínio quanto fonte de medo e terror. “O Hospedeiro” parte em busca dos abismos ocultos em várias dimensões da sociedade coreana de maneira precisa, cômica, indiferente e terna. O abismo abrange as águas escuras do rio Han, os pilares da ponte onde o monstro vive escondido, as paisagens radicalmente diferentes ao longo do norte e do sul do rio Han, as relações familiares, as relações entre o Estado e os cidadãos e até as relações entre a Coreia e os Estados Unidos. O monstro, nascido de uma mutação, não se limita à imaginação de gênero, mas investe contra a sociedade coreana e a ameaça, até ser capturado e morrer, enquanto o rio Han vai se transformando de um lugar de “obtusos” que não conseguem ver o que é escuro em um lugar de contemplação. No abismo onde cessam a profundidade vertical cujo fim é desconhecido e o movimento que percorria horizontalmente a margem do rio, restam não a morte, mas o nascimento e o despertar. Esse abismo deverá se estender aos becos, à loja de ervas medicinais da mãe e à sala de visitas, aos espaços escondidos sob as escadas, aos túneis e às subidas íngremes.