Registrar nem sempre é algo sério, e o tempo livre tampouco significa tédio. Na vida contemporânea, constantemente invadida pelo trabalho e pela eficiência, torna-se cada vez mais difícil que os dias de folga sejam de fato dias de folga, e o tempo livre também é incorporado à ordem da reprodução do trabalho. Assim, a vida parece mergulhar numa insônia sem fim. Talvez seja, ao contrário, no brilho do fogo nas noites de verão, nas andanças pelas ruas, no olhar da inocência infantil e na imaginação do destino que consigamos captar melhor aqueles momentos leves e autênticos da vida. O tempo volta a se libertar da medida utilitária, e a vida volta a ser a própria vida. Talvez o que as imagens possam nos oferecer seja justamente esse intervalo de tempo sem necessidade de chegar a lugar algum: redescobrir o sentido da vida na ausência de sentido.