Hilol conta em silêncio. Conta mesmo pendurada de cabeça para baixo no batente da janela, quando o medo cresce dentro dela e depois de perceber pela primeira vez o que quer e o que não quer. Para Hilol, contar é uma forma de controlar a explosão de emoções e desejos reprimidos e, paradoxalmente, também um ato de perceber que eles estão vivos dentro dela. Aos vinte e três anos, Hilol foi criada pelo pai como um “filho”. Tendo perdido a mãe ao nascer, Hilol já foi campeã de taekwondo, mas agora não há nada que possa fazer além de cuidar do pai em casa. Suas irmãs mais velhas, cada uma com uma vida problemática, tentam casá-la, e Hilol, ao reencontrar por acaso Doniyor, um amigo de muito tempo atrás, se vê abalada por um sentimento que nem ela mesma entende. A câmera áspera e impetuosa persegue Hilol pelas estradas, enquanto ela segue partindo em direção a algum lugar, e então recua de repente para enquadrá-la em um plano geral extremo, parada como se estivesse perdida; a alternância dessas cenas cria o ritmo peculiar do filme. O fato de que, no Uzbequistão, “Hilol” é tanto um nome masculino quanto um apelido carinhoso do nome feminino “Hilola”, além de significar “lua crescente”, ainda por se encher, é uma chave para compreender o filme e uma metáfora que nos faz imaginar a vida de Hilol depois dele. É a chegada de um novo diretor do Uzbequistão digno de atenção.